A Bahia registrou 534,94 km² sob alertas de desmatamento no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026, conforme dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Essa cifra representa uma redução de 27% em relação ao ciclo anterior e é o menor volume anual de área sob alertas desde o início da série em 2017/2018.
Os números indicam uma tendência de queda nos últimos três ciclos. Após atingir 1.662,34 km² em 2022/2023, a área sob alertas caiu para 791,81 km² em 2023/2024 e, em seguida, para 732,63 km² em 2024/2025, culminando em 534,94 km² no ciclo mais recente. Essa diminuição também representa uma queda de aproximadamente 67,8% em relação ao pico de 2022/2023.
O monitoramento da vegetação nativa no Cerrado é realizado por meio de tecnologia de satélite e ações de fiscalização do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Essa abordagem permite identificar áreas com indícios de desmatamento e direcionar as equipes para locais que necessitam de verificação.
Operações como a Mata do Guará, realizada em 2024, utilizaram dados de sensoriamento remoto para mapear áreas prioritárias para fiscalização em sete municípios do Cerrado, abrangendo mais de 3 mil hectares. A estratégia foi repetida na Operação Mata do Guará + Águas do Oeste em março de 2025, fiscalizando novamente mais de 3 mil hectares em cinco municípios.
Além disso, o Programa Bahia Sem Fogo, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente, visa prevenir e combater incêndios florestais, especialmente em períodos críticos. As ações de fiscalização estão alinhadas ao Pacto pelo Cerrado, que busca combater o desmatamento ilegal no bioma.
O Cerrado, que ocupa cerca de um terço do território baiano, é essencial para a disponibilidade hídrica e abriga uma rica biodiversidade, incluindo espécies como lobo-guará e seriema. Apesar da redução nos alertas, o bioma ainda enfrenta desafios devido à expansão agropecuária e à degradação ambiental.
