A Desembargadora Nágila Brito, presidente da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), participou do I Encontro das Mulheres da Academia de Letras Jurídicas Ilheense (ALJIL) na última terça-feira (2). O evento, realizado no auditório da Faculdade de Ilhéus, abordou a importância da escuta empática e do apoio mútuo entre mulheres.
No Painel I, a magistrada apresentou a palestra “Justiça e Sororidade no enfrentamento à violência contra a mulher”, enfatizando o papel da sociedade e do Sistema de Justiça no acolhimento a mulheres em situação de violência. A Desembargadora destacou a necessidade de escuta sem julgamentos e respeito à autonomia feminina.
Ela alertou que a violência pode se manifestar inicialmente por comportamentos como controle, ciúme e isolamento, e que o rompimento de relações violentas é um processo complexo, muitas vezes marcado por medo e dependência. Brito incentivou a mudança de questionamentos como “por que ela não vai embora?” para uma postura de compreensão dos desafios enfrentados pelas mulheres.
Ao discutir sororidade, a magistrada ressaltou a importância do apoio entre mulheres, já que muitas vezes a primeira revelação de violência ocorre antes da busca por ajuda oficial. Ela defendeu uma atuação do Sistema de Justiça que combine a apuração dos fatos com uma escuta humanizada, evitando práticas que possam culpabilizar a mulher.
Encerrando sua palestra, Brito reforçou que “ciúme não é amor” e “posse não é afeto”, destacando que as mulheres não pertencem a ninguém. Ela também apresentou precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que reconhecem a gravidade de crimes motivados por sentimentos de posse e controle.
O I Encontro das Mulheres da ALJIL incluiu ainda o painel “Sororidade e Direitos Fundamentais”, com a participação de especialistas e uma programação que contou com a leitura da Carta do Encontro e apresentações culturais.
