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sábado, 17 de outubro de 2026
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TJBA realiza assentamento do Machado de Xangô no Fórum de Camaçari

TJBA realiza assentamento do Machado de Xangô no Fórum de Camaçari
TJBA realiza assentamento do Machado de Xangô no Fórum de Camaçari
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O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) promoveu, nesta quarta-feira (30), o assentamento do Oxé (ou oshè) de Xangô (Machado de Xangô) no Fórum Clemente Mariani, em Camaçari.

Localizada na Região Metropolitana de Salvador, Camaçari é a primeira comarca do interior do Estado a receber o artefato. Doado pelo Terreiro de Lembá, localizado no município, o machado é um dos principais símbolos de Xangô, Orixá associado à justiça e ao equilíbrio nas religiões de matriz africana. O elemento sagrado, também, representa harmonia e neutralidade.

Em seu discurso, o Presidente do TJBA, Desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, destacou o papel do Poder Judiciário no desenvolvimento de ações de enfrentamento à intolerância religiosa e de promoção do respeito à diversidade.

“Acredito que a Justiça precisa ter a cor, a sensibilidade e a alma do seu povo, bem como precisa olhar para a diversidade cultural e religiosa com uma vivência diária de acolhimento e garantia de liberdades fundamentais”, defendeu o Desembargador Presidente. “Temos trabalhado, e eu de uma forma pessoal e continuamente, para superar barreiras históricas, implementando políticas de equidade racial, ações de combate ao preconceito e programas de valorização dos direitos humanos em todas as nossas unidades. Entendo que o combate à intolerância religiosa é um dever primordial do Estado”, enfatizou.

Na avaliação do sacerdote do Terreiro de Lembá – Táta Ricardo Tavares –, a presença do Oxé de Xangô no TJBA simboliza a abertura de um novo capítulo na relação da Justiça com a história da população negra e com as religiões de matriz africana. Para ele, o gesto carrega um importante significado de reconhecimento e reparação.

“A instalação do Oxé de Xangô representa um marco no processo reparatório que essa casa, que é o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, começa a reescrever. Reescrever uma história de dignidade, de direitos, de justiça social e humanitária, que repara todas as maldades e violações de direitos que foram promovidas contra o povo negro e, principalmente, com as religiões de matriz africana”, afirmou.

Diretor do Fórum Clemente Mariani, o Juiz Francisco Oliveira de Almeida ressaltou o significado da instalação do Machado de Xangô como símbolo de acolhimento, respeito à diversidade religiosa e compromisso com o enfrentamento à intolerância.

“É um marco, deixa público a necessidade de se combater de todas as formas a intolerância religiosa. E Xangô significa a Justiça (…), então, essa peça está sendo colocada estrategicamente na frente do Fórum como forma de receber todos aqueles que aqui adentrem”, disse o magistrado.

A cerimônia foi prestigiada por magistrados, servidores, autoridades e comunidade local. O Presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, esteve entre os presentes.

A iniciativa – capitaneada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Bahia (OAB-BA), com o apoio do TJBA – prevê a instalação de 12 Machados de Xangô em diversas comarcas do Estado. Em maio de 2025, a sede do Tribunal baiano recebeu a doação do artefato, esculpido pelo artista plástico Rodrigo Siqueira e doado pela Casa Ilê Axé Oxumarê.

“O Machado de Xangô é representativo, é simbólico de um Estado que reconhece toda a diversidade cultural e religiosa que existe na Bahia e no Brasil. Nós, assim, estamos confirmando a democracia que se encontra no texto constitucional de 1988. Então, é uma honra à OAB, neste momento, ter sido quem proporcionou esse diálogo”, salientou a Secretária-Geral da OAB-BA, Cléia Costa dos Santos, que representou a Presidente da seccional, Daniela Borges, na ocasião.

A próxima inauguração está prevista para ocorrer no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), em data a ser divulgada oportunamente.

A ação está alinhada a relevantes avanços nacionais destinados à promoção da liberdade religiosa e ao enfrentamento à intolerância. Em 2022, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Resolução nº 440, instituiu a Política Nacional de Promoção à Liberdade Religiosa e Combate à Intolerância no âmbito do Poder Judiciário.

A norma estabelece diretrizes para o reconhecimento e o incentivo à diversidade e à liberdade religiosa, bem como o enfrentamento à intolerância motivada por crença ou convicção e a adoção de medidas administrativas voltadas à promoção da tolerância e do pluralismo religioso no ambiente institucional.

Dois anos depois, em novembro de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que a presença de símbolos religiosos em prédios públicos não viola a Constituição Federal quando tiver como finalidade manifestar a tradição cultural da sociedade brasileira.

O TJBA, também, desenvolve ações atinentes à ampliação do acesso à Justiça e à promoção da cidadania, da saúde, da reparação e do bem-estar nas comarcas do Estado. Em Camaçari, a população já foi beneficiada por diferentes iniciativas promovidas pela Corte.

A mais recente delas, realizada no mês de agosto, foi o Mutirão PopRuaJud. A ação possibilitou à população em situação de vulnerabilidade social o acesso a direitos e serviços. Cerca de 4.500 pessoas receberam assistência jurídica, médica e social.

Leia também: Presidente do TJBA encontra-se com candomblecista que teve foto retirada de galeria no Fórum de Camaçari

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