Na última terça-feira (27), o Cineclube Bahia Pela Paz realizou mais uma sessão na Sala de Cinema Walter da Silveira, exibindo o documentário “Deixa na Régua”, de Emilio Domingos, que retrata o universo das barbearias nas favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro e sua influência nas estéticas periféricas.
A estudante Ana Maria dos Santos, 18 anos, do coletivo de Abrantes, contou que foi sua primeira experiência no cineclube: “Achei legal o filme, ver o universo das barbearias, os cortes que os barbeiros podem ou não fazer e algumas questões culturais que o documentário mostra. Essa iniciativa do coletivo de trazer a juventude para o cinema é muito importante, além de fazer a gente sair e vir assistir ao filme, sempre aprendemos algo novo, como eu aprendi hoje”.
A programação de 2026 do Cineclube oferece exibições gratuitas para jovens de 12 a 29 anos, em parceria com os Coletivos Bahia Pela Paz, presentes em 18 comunidades vulneráveis de Salvador, região metropolitana e interior da Bahia. Cada sessão inclui debate para estimular a reflexão crítica a partir das narrativas cinematográficas.
Entre as obras já exibidas estão “Sonho de Arrocha”, “Jonas e o Circo sem Lona”, “Esses Moços”, “Alice dos Anjos” e o próprio “Deixa na Régua”. A última exibição prevista para este ano será em 24 de novembro, com o filme “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal.
Edmara Araújo, 21, destacou que as sessões permitem conhecer novas histórias e ampliar o contato com o cinema. Já Catarine Barbosa Santos, 16, ressaltou a importância da crítica social nas produções, afirmando sobre “Esses Moços”: “Foi uma ótima iniciativa, muito impactante, porque não só eu, como outros jovens também, provavelmente nem se interessam por filmes de crítica social. E estar aqui assistindo a um filme de crítica social, eu acho que já muda o modo de ver muita coisa”.
O cineclube integra as ações da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA) dentro do Programa Bahia Pela Paz, iniciativa intersetorial de prevenção da violência. O assessor de relações institucionais da Funceb, Kuka Matos, explicou que “a política cultural estadual mantém apoio direto a iniciativas comunitárias por meio de edital, financiando 24 associações, grupos e coletivos culturais, alcançando mais de 600 crianças, adolescentes e jovens em diferentes territórios baianos”.
Andréia Fabia, coordenadora pedagógica dos Coletivos Bahia Pela Paz, afirmou que a iniciativa fortalece a formação e a prevenção da violência ao ampliar o acesso da juventude a equipamentos culturais e estimular o sentimento de pertencimento à cidade.
