O Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA) modernizou sua atuação com o uso de tecnologia, que permite cruzar dados, identificar padrões e direcionar a atenção dos auditores para possíveis irregularidades. Em 111 anos, as ferramentas e a forma de fiscalizar mudaram, tornando o controle mais ágil e preventivo.
A informatização do Tribunal começou nos anos 2000 e avançou na década seguinte com soluções específicas para auditoria. Um marco foi o sistema Mirante, que utiliza Business Intelligence e análise de dados. A partir de 2015, os processos se tornaram 100% digitais, incluindo o acervo processual.
Segundo o diretor do Centro de Estudos e Desenvolvimento de Tecnologia para Auditoria (Cedasc), Edmilson Galiza, o Mirante permitiu transformar grandes volumes de dados públicos em informação útil para o planejamento e a execução das auditorias. Cruzamentos e trilhas de auditoria passaram a indicar possíveis problemas em licitações, contratos, pagamentos, pessoal, fornecedores e obras.
A tecnologia também passou a ser usada de forma preditiva. Um modelo testado desde 2022 utiliza dados históricos e informações de julgamentos para estimar riscos em instrumentos de repasse, alcançando 87% de acerto nos testes. O novo Data Center oferece infraestrutura para sustentar sistemas e volumes crescentes de informações com segurança e estabilidade.
A inteligência artificial (IA) abre um novo capítulo. A assistente virtual TiCianE interage em linguagem natural, auxilia no uso do Mirante e apoia auditorias e capacitações. O horizonte inclui IA aplicada à leitura de grandes volumes de documentos, identificação de padrões, classificação de riscos e geração de alertas.
No entanto, a máquina não substitui o auditor. “A IA deve apoiar a decisão do auditor, jamais substituir o juízo técnico, jurídico e institucional do Tribunal. A tecnologia amplia a capacidade humana”, ressalta Galiza.