A Ouvidoria Cidadã da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA) realizou, no dia 3 de agosto, o projeto “Florir para Além dos Muros” no Conjunto Penal Feminino da Mata Escura, em Salvador. A ação reuniu 56 mulheres privadas de liberdade em um espaço de diálogo e escuta qualificada, com o objetivo de identificar demandas e fortalecer a garantia de direitos.
Durante a atividade, a equipe aplicou questionários e promoveu uma roda de conversa. Entre os temas levantados estavam saúde mental, maternidade, preservação de vínculos familiares, violência de gênero e perspectivas de reinserção social. As informações coletadas subsidiarão futuras ações da Defensoria, incluindo iniciativas de cuidado em saúde e ampliação do acesso a políticas públicas.
Para a ouvidora-adjunta da DPE/BA, Thiffany Odara, o projeto busca ir além do acompanhamento processual. “Estamos realizando uma busca ativa, com uma escuta social qualificada e sensível, para compreender as necessidades dessas mulheres e pensar ações que ultrapassem a esfera judicial. Queremos fortalecer processos de ressocialização, ampliar o acesso a direitos e mostrar que o cárcere não precisa ser um espaço de invisibilidade”, afirmou.
A coordenadora laboral e educativa do Conjunto Penal, Camila Calmon Costa, celebrou a parceria. “É uma satisfação imensa receber a Defensoria Pública e a Ouvidoria Cidadã aqui. Esse olhar voltado para o Conjunto Penal Feminino, tanto para as mulheres privadas de liberdade quanto para nós, servidoras, faz toda a diferença”, disse.
Uma das participantes, identificada como D.S., destacou a importância de ser ouvida. “Nós precisamos ser escutadas aqui dentro. Às vezes é muito difícil viver no Conjunto Penal, mas quando chegam pessoas dispostas a nos ouvir, isso faz muita diferença para cada uma de nós”, desabafou.
O projeto “Florir para Além dos Muros” é piloto e deve ser levado a outras unidades prisionais femininas do estado, reforçando o compromisso da DPE/BA com os direitos humanos e a ressocialização.