Organizado pelas pesquisadoras Ana Virgínia Alves de Santana e Simone Cerqueira Pereira Cruz, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o livro “Cartografia Geológica e Geoética” está entre os dez semifinalistas da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, na categoria Geografia e Geociências. A obra, patrocinada pelo Confea e pelo Crea-BA, foi realizada pela Associação Baiana de Geologia (ABG) e pela Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), com apoio da Ufba, da Mútua e do Serviço Geológico do Brasil (SGB).
A premiação, que reconhece publicações acadêmicas, científicas, técnicas e profissionais, recebeu 2.085 inscrições nesta edição. A cerimônia de entrega será em 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Os vencedores receberão a estatueta do Jabuti Acadêmico e um prêmio de R$ 5 mil.
O livro propõe uma nova abordagem para o ensino e a prática da cartografia geológica, defendendo que o mapeamento considere também questões sociais, ambientais e culturais. A publicação reúne capítulos sobre geoética, relações étnico-raciais, direitos humanos e desenvolvimento sustentável na formação dos profissionais das Geociências.
Segundo a idealizadora Ana Virgínia, professora-doutora da Ufba, a obra surgiu da necessidade de compartilhar experiências das disciplinas de mapeamento geológico da instituição. “Percebemos a necessidade de divulgar para o Brasil as ações implementadas nas disciplinas de mapeamento geológico da Ufba, que dialogam com procedimentos geoéticos, como o reconhecimento das comunidades tradicionais, das áreas protegidas, do patrimônio geológico e dos locais sagrados presentes nas áreas estudadas”, explicou.
Dividido em cinco partes, o livro aborda desde a evolução histórica da cartografia geológica até orientações para incorporar práticas de equidade, respeito às comunidades e responsabilidade socioambiental. Também destaca a contribuição das Geociências para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e o uso de tecnologias como Modelos Digitais de Elevação e de Afloramento.
Para a geóloga e professora Simone Cruz, a indicação ao prêmio reconhece a qualidade da produção científica brasileira em Geociências. “Esperamos que o livro ajude as pessoas a compreenderem a Geologia não apenas por uma perspectiva extrativista, mas como uma ferramenta importante para proteger vidas, orientar estudos de riscos geológicos, de contaminação e contribuir para a qualidade de vida e para uma relação mais responsável com o meio ambiente”, afirmou.
O presidente da ABG, Vinicius Benevides Schirmer, destacou o orgulho de participar da realização do livro. “É motivo de grande orgulho contribuir para uma publicação que alia excelência técnica, responsabilidade socioambiental e uma visão moderna da atuação profissional”, disse. A professora da UFRJ Kátia Leite Mansur, autora de um capítulo, avaliou que a indicação “dá um reconhecimento essencial à importância da Geoética na formação profissional dos geólogos e geólogas”.
Foram impressos mil exemplares, que serão distribuídos gratuitamente para cursos de Geologia e Engenharia Geológica em todo o Brasil. A obra também está disponível para download nos sites da ABG e da Febrageo.
