As mudanças climáticas têm aumentado a frequência e a intensidade de eventos extremos, tornando o planejamento urbano um desafio crucial para a gestão pública. Em junho, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e o Climate Prediction Center (CPC) confirmaram o fenômeno El Niño, com alta probabilidade de intensificação entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Para o Brasil, isso requer ações preventivas imediatas. A Região Sul pode enfrentar chuvas acima da média e riscos de enchentes, enquanto o Norte pode sofrer com a redução das chuvas e aumento do estresse hídrico. No Nordeste, o fenômeno pode causar irregularidade nas precipitações e déficit hídrico, especialmente no semiárido. Já no Sudeste e Centro-Oeste, os efeitos incluem ondas de calor e chuvas irregulares.
Especialistas alertam que o El Niño deve ser encarado como um alerta técnico, orientando decisões como a revisão de planos de contingência e a manutenção da infraestrutura de drenagem urbana. A integração entre meteorologia, geociências, engenharia e gestão pública é fundamental para fortalecer o planejamento territorial e reduzir a vulnerabilidade das cidades.
A doutora em meteorologia Rafaella Vilar destaca que a colaboração entre profissionais das geociências e da engenharia é essencial para transformar planos diretores em instrumentos efetivos de prevenção. A utilização de dados meteorológicos e hidrológicos é crucial para orientar investimentos em infraestrutura e evitar tragédias como as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.
Vilar enfatiza que o planejamento preventivo, baseado em dados meteorológicos, é vital para antecipar cenários de risco e evitar o colapso da infraestrutura urbana. A gestão de risco deve integrar diversas áreas, considerando que a água não respeita limites administrativos e que ações em um município podem impactar outros.