Senhor do Bonfim está entre os 20 municípios brasileiros selecionados no 2º ciclo da Rede Colaborativa de Inovações em Atenção Primária à Saúde (Colabora APS), uma iniciativa da Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde. O projeto bonfinense escolhido é o AquilombaSUS, que promove a saúde quilombola no município desde 2022.
Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde, o AquilombaSUS atua diretamente em cinco Equipes de Saúde da Família que atendem comunidades quilombolas. A iniciativa foi idealizada pelos profissionais Artur Alves, Regina Mendes, Antônio Alves e Nanna Mendes, e busca ampliar o acesso à Atenção Primária, valorizando saberes tradicionais, fortalecendo a participação popular e enfrentando o racismo institucional.
Entre as ações realizadas estão as Feiras Quilombolas de Saúde, a Farmácia Viva, a Feira de Saúde no Terreiro, o uso de plantas medicinais e o Seminário de Saúde da População Negra. Para o prefeito Laércio Júnior, o reconhecimento mostra que o município avança na construção de uma saúde mais humanizada.
“Entre centenas de iniciativas de todo o Brasil, Senhor do Bonfim se destacou como referência em inovação e fortalecimento do SUS. Isso mostra que estamos no caminho certo, construindo uma saúde mais humanizada e próxima das pessoas. Parabenizo todos os profissionais envolvidos pelo trabalho, dedicação e compromisso com o nosso povo. Esse reconhecimento é motivo de orgulho para todos nós!”, destacou.
Os representantes do município participam esta semana de um encontro presencial na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, que integra o ciclo colaborativo com duração de até seis meses. A programação inclui atividades formativas, visitas locais e intercâmbio entre diferentes regiões do país.
O médico Artur Alves, um dos idealizadores, comemorou a seleção: “Foram mais de 400 experiências inscritas, 40 chegaram à segunda fase e, após as entrevistas, apenas 20 foram selecionadas. Estar entre elas e representar Senhor do Bonfim no cenário nacional é motivo de muita alegria. Somos o município com a maior população quilombola do país e o SUS precisa dialogar com essa realidade, respeitando as especificidades e os saberes dessas comunidades.”
A agente comunitária de saúde Regina Mendes também destacou a troca de experiências: “Estamos aprendendo muito com outras experiências e, ao mesmo tempo, recebendo reconhecimento pelo nosso projeto, especialmente pela forma como valorizamos o saber que cada pessoa traz consigo. Voltaremos cheios de novidades e contando com o apoio de todos para transformar esses aprendizados em novas ações.”